A sustentabilidade da inovação
Quando falamos de Região do Conhecimento temos que pensar na construção de uma plataforma capaz de promover a integração entre empresários, pesquisadores, representantes de centros de pesquisas e universidades. Qual a arquitetura ideal para vivenciar este conceito?
Este é o ponto essencial. Em Campinas esta plataforma já existiu em 1978, quando o professor Rogério Cerqueira Leite deu início ao desenvolvimento dos Centros de Pesquisa, em especial, com o projeto chamado Codetec – Companhia de Desenvolvimento Tecnológico de Campinas. Esta é a visão de Alexandre Bueno, pesquisador de temas de inovação. Segundo Bueno, “o conceito do capitalismo não linear faz a ponte entre o meio universitário e produtivo de forma sustentável”.
Inovação cria a ponte com o Capitalismo não linear
Capitalismo não linear pensa no reinvestimento em criatividade e inovação. O capitalismo linear é o extrativista, o não sustentável, que pensa no lucro a curto prazo, independente da manutenção da cadeia de valor. É este capitalismo que impera. O modelo ao qual Bueno se refere estabelece um pacto em compartilhar os frutos das inovações tecnológicas, retornando recursos para o incentivo da pesquisa e desenvolvimento. Brilhante…
Sustentabilidade e inovação de mãos dadas

Um prédio verde sintetiza a união entre inovação e sustentabilidade. Os centros de pesquisas do futuro devem primar pela arquitetura e tecnologias sustentáveis
Acontece que o modelo de sustentabilidade da inovação sofreu uma ruptura nos anos 90. Os centros de pesquisas, quando foram criados, tinham a arquitetura de compor um sistema de validação técnica e cientifica das inovações geradas pela academia, que por sua vez, mantinham estreito relacionamento com a iniciativa privada.
Hoje, com o advento das novas tecnologias Web existe a necessidade de movimentar o resgate de alinhamento com estes fundamentos valendo-se de ferramentas colaborativas. Principalmente os movimentos de Crowdsourcing. O desafio é justamente alinhar a universidade e centros de pesquisa com o mercado. A zona de conforto dos pesquisadores e acadêmicos está ameaçada. O conhecimento deve estar conectado com a realidade. Os Parques Tecnológicos mais avançados do mundo fazem pulsar a inovação neste contexto e conseguiram entender a dinâmica das startups.
Deformações
Atualmente existe uma deformação no sistema. Os convênios das empresas com a academia em centros de pesquisa não conseguem alcançar resultados satisfatórios justamente por que a cultura da inovação não pulsa na vida acadêmica. Mas o mundo gira e o mercado pede soluções inovadoras. Assistimos o rompimento de convênios e as empresas estão optando em investir em centros de pesquisa e desenvolvimento próprios, não sendo mais tão interessante manter convênio com a academia.
Dentro deste contexto Bueno desafia o sistema vigente com uma afirmação provocadora e até mesmo ardilosa: “pesquisadores acadêmicos não têm propósito”. Porém esta frase encontra fundamento. Afinal, como lançar produtos, novas ideias de forma otimizada, gerando valor para todos da cadeia produtiva? O sistema de parceria entre todos os atores deve ser recomposto. É necessário resgatar a plataforma idealizada por Rogério Cerqueira Leite. Este resgate é necessário, principalmente incentivar a inovação.
Na realidade, esta é a lógica dos Parques Tecnológicos. Falar em Região do Conhecimento sem contemplar estes valores é cair no vazio. O momento requer a construção de uma plataforma que abra espaço para que fundos e investidores anjos tenham como aportar recursos em projetos inovadores. O sistema de segurança do capital intelectual deve ser resguardado dentro de um mecanismo inovador que permita que o jovem cientista também se beneficie do sucesso e do risco. Sim, inovação não significa sucesso. Também está relacionado com riscos. Estes princípios devem ser ponderados e o tema merece destaque para reflexão.












