05 setembro 2011

A sustentabilidade da inovação

Sonhar com uma arquitetura com foco à inovação é legítimo

Quando falamos de Região do Conhecimento temos que pensar na construção de uma plataforma capaz de promover a integração entre empresários, pesquisadores, representantes de centros de pesquisas e universidades. Qual a arquitetura ideal para vivenciar este conceito?

Este é o ponto essencial. Em Campinas esta plataforma já existiu em 1978, quando o professor Rogério Cerqueira Leite deu início ao desenvolvimento dos Centros de Pesquisa, em especial, com o projeto chamado Codetec – Companhia de Desenvolvimento Tecnológico de Campinas. Esta é a visão de Alexandre Bueno, pesquisador de temas de inovação. Segundo Bueno, “o conceito do capitalismo não linear faz a ponte entre o meio universitário e produtivo de forma sustentável”.

Inovação cria a ponte com o Capitalismo não linear

Capitalismo não linear pensa no reinvestimento em criatividade e inovação. O capitalismo linear é o extrativista, o não sustentável, que pensa no lucro a curto prazo, independente da manutenção da cadeia de valor. É este capitalismo que impera.  O modelo ao qual Bueno se refere estabelece um pacto em compartilhar os frutos das inovações tecnológicas, retornando recursos para o incentivo da pesquisa e desenvolvimento. Brilhante…

Sustentabilidade e inovação de mãos dadas

Um prédio verde sintetiza a união entre inovação e sustentabilidade. Os centros de pesquisas do futuro devem primar pela arquitetura e tecnologias sustentáveis

Acontece que o modelo de sustentabilidade da inovação sofreu uma ruptura nos anos 90. Os centros de pesquisas, quando foram criados, tinham a arquitetura de compor um sistema de validação técnica e cientifica das inovações geradas pela academia, que por sua vez, mantinham estreito relacionamento com a iniciativa privada.

Hoje, com o advento das novas tecnologias Web existe a necessidade de  movimentar o resgate de alinhamento com estes fundamentos valendo-se de ferramentas colaborativas. Principalmente os movimentos de Crowdsourcing. O desafio é justamente alinhar a universidade e centros de pesquisa com o mercado. A zona de conforto dos pesquisadores e acadêmicos está ameaçada. O conhecimento deve estar conectado com a realidade. Os Parques Tecnológicos mais avançados do mundo fazem pulsar a inovação neste contexto e conseguiram entender a dinâmica das startups.

Deformações

Atualmente existe uma deformação no sistema. Os convênios das empresas com a academia em centros de pesquisa não conseguem alcançar resultados satisfatórios justamente por que a cultura da inovação não pulsa na vida acadêmica. Mas o mundo gira e o mercado pede soluções inovadoras. Assistimos o rompimento de convênios e as empresas estão optando em investir em centros de pesquisa e desenvolvimento próprios, não sendo mais tão interessante manter convênio com a academia.

Dentro deste contexto Bueno desafia o sistema vigente com uma afirmação provocadora e até mesmo ardilosa: “pesquisadores acadêmicos não têm propósito”. Porém esta frase encontra fundamento. Afinal, como lançar produtos, novas ideias de forma otimizada, gerando valor para todos da cadeia produtiva? O sistema de parceria entre todos os atores deve ser recomposto. É necessário resgatar a plataforma idealizada por Rogério Cerqueira Leite. Este resgate é necessário, principalmente incentivar a inovação.

Na realidade, esta é a lógica dos Parques Tecnológicos. Falar em Região do Conhecimento sem contemplar estes valores é cair no vazio. O momento requer a construção de uma plataforma que abra espaço para que fundos e investidores anjos tenham como aportar recursos em projetos inovadores. O sistema de segurança do capital intelectual deve ser resguardado dentro de um mecanismo inovador que permita que o jovem cientista também se beneficie do sucesso e do risco. Sim, inovação não significa sucesso. Também está relacionado com riscos. Estes princípios devem ser ponderados e o tema merece destaque para reflexão.

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  • Bastos Junior

    Capitalismo não linear ignora a busca da inovação, não investe em pesquisas nas reservas naturais disponíveis e as explora a ponto de exaustão absoluta.O capitalismo de fato não investe nas comunidades e sítios naturais produtivos dos povos da floresta e ainda mata seus lideres. Vergonhoso serviço a favor dos poderosos. Isso é o não sustentável, que realiza altos ganhos no lucro a despeito da miséria nas comunidades extrativistas,marionetes dessa gente. independente da cultura e manutenção da cadeia de valor. Acredite.100 gramas de castanha do Brazil numa rede de supermercados pra classe média equivale a um saco de 50kg da mesma castanha, paga na mão miserável do castanheiro. Bueno, é possível com equidade, justiça e inovação, retornar sim, recursos para ivestimento socio-sustentável. Tem meu absoluto aval. Em me memória “Saudoso Chico Mende”