A verdadeira teoria do bom senso
por: Dirceu Pio
Há um míssil de alta potência apontado para os futuros mercados. E será capaz de implodi-los ou explodi-los, como queiram. Chama-se “energia nuclear”.
Veja o que diz o célebre físico José Goldemberg (Estadão, sexta-feira, Caderno 2, Coluna Sônia Racy): está demonstrado que a energia nuclear não é segura e o Brasil não precisa dela.
Goldenberg é um homem de bom senso. Não vai sair por aí a defender o indefensável. Oxalá ele liderasse um movimento que resultasse no cancelamento do plano de expansão das usinas nucleares no Brasil e no fechamento das atuais em operação numa das mais paradisíacas regiões do litoral brasileiro. As duas em operação poderiam ser transformadas em depósito do lixo radioativo que elas mesmas produziram em grandes volumes e para os quais a negligência governamental ainda não definiu um destino seguro.
O que estamos esperando para tomar essas decisões ? Os sinais que ela mesma, a energia nuclear, deu ao Planeta sobre o seu potencial destrutivo são aterradores. Esqueçamos Hirochima e Nagasaki, cujas vítimas evitaram um mal maior. Fiquemos com estes quatro, bem mais recentes:
A)- 1979 -Three Mile Island, na Pensilvânia, EUA. Não foi por terremoto e nem por tsunami. Foi por falha técnica mesmo.
B)- 1986- Chernobyl – Também não foi por terremoto e tsunami. Falha no sistema de resfriamento de reatores.
C)- 1987- Césio de Goiânia. A tsunami, no caso, foi a negligência assassina do governo federal, que permitiu que o aparelho contendo o césio fosse abandonado nos fundos de uma clínica. O acidente nos mostra o quanto essa tecnologia é terrível: uma quantidade irrisória de pó de césio, que caberia no dedal de uma costureira, foi responsável pela contaminação por radioatividade de centenas de pessoas, pela morte de várias delas e por uma montanha de lixo nuclear que ocupa cinco ou seis alqueires da área rural de Goiânia.
D)- 2011 – Fukushima, Japão. Causas: terremoto, tsunami e neglicência governamental. Um desses idiotas globais escreveu artigo, durante a semana, no jornal Folha de São Paulo, publicado com destaque, onde diz que aderiu à energia nuclear por verificar que o acidente em Fukushima não matou nenhuma pessoa por radiação. O preço que o Japão terá de pagar por essa energia é insondável: queda abrupta no fluxo turístico que levará anos para ser recomposto; queda nas exportações; queda do setor pesqueiro; perda de grandes extensões de solo num país que já nasceu espremido numa tripa de continente em frente ao Pacífico; investimento de bilhões de dólares na reconstrução das áreas afetadas, na remoção de 120 mil pessoas das áreas de risco à radiação, morte de milhares de pessoas por câncer nos próximos anos. E um idiota de nome internacional ainda vem dizer que vale a pena continuar a investir nessa porcaria.
Com a tragédia japonesa, o nosso ministro da Ciência e Tecnologia, Aluízio Mercadante, veio a público para tentar nos convencer de que as usinas de Angra seguem rigorosos protocolos internacionais de segurança e que, portanto, não há riscos a temer. É o tipo de declaração também protocolar. Os ministros de ciência e tecnologia dos Estados Unidos, Rússia, Japão teriam declarado a mesma coisa se indagados a respeito horas antes das tragédias que se abateram sobre esses países.
Em nome da verdadeira teoria do bom senso, caros leitores, propaguem essa idéia. Escrevam a José Godenberg. Convoquem-no para essa liderança. Ajude o Brasil – e os mercados do futuro – a se verem livres dessa ameaça.
















