13 novembro 2011

Água: um mergulho em sua simbologia

A palestra realizada em Campinas pelo projeto

Roberto Evangelista tece conexões da água com a Era de Aquário e elementosalquímicos

Estação Semear” (12/11 – sábado), ministrada pelo escritor e poeta de Haikai,
Roberto Evangelista, proporcionou uma viagem mágica pelo tempo.

Evangelista reside em Manaus há mais de 40 anos e veio dirigir esta vivência a convite da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico.

Os conteúdos apresentados criaram desenhos com relevos, nuances de cores e formas no imaginário dos participantes. A abordagem confirmou que o mergulho na simbologia da água nos dá licença para adentrar num espaço tempo além das fronteiras culturais, científicas e religiosas, nos permitindo enxergar melhor a natureza deste elemento essencial à vida.

Do útero materno à arquitetura das catedrais
Evangelista iniciou a palestra nos conduzindo para o útero materno. A ligação da água com a vida é perene. Foi demonstrado que este fio condutor tem o poder de proporcionar a leitura ampliada que considera as dimensões da sua existência em diversos planos: arquetípicometafísicobioquímico e espiritual.

As conexões foram sendo feitas unindo as referências de artigos científicos, salmos, trechos da kabala, tratados, interpretações e abstrações dos sábios e estudiosos das culturas orientais e ocidentais que encontram na água um elemento de convergência, uma síntese sagrada e universal.

Referências ocultas da água 

Cristais de água: formas essenciais da vida e da arquitetura. (experimento do cientista japonês *Masaru Emoto). As catedrais góticas também traduzem geometria sagrada presente no microcosmo dos cristais de água.

As referências espirituais e científicas da água estão presentes nas Escrituras Sagradas, do Gênese ao Induísmo, passando pelo Judaísmo, Zen Budismo, dentre outras linhas espirituais. A palestra também apresentou tratados científicos e metafísicos que buscam traduzir, medir e interpretar as dimensões e os movimentos dos fluxos, nos mais variados ambientes onde a água se faz presente.

O comportamento nas marés, nos lençóis freáticos, nos rios voadores, nas montanhas, planícies, forestas e no espaço celestial. Água que cura, que acolhe e rompe formações rochosas. Água da Era de Aquário que rege e dá o tom aos grandes fenômenos da vida contemporânea. Água da Kabala, água do sânscrito e da química.

Água, Música e Poesia nos acordes da Shakuhachi
Enfim, a palestra ilustrou referências de dizeres registrados em diversas culturas ancestrais e atuais. E ao fundo soava acordes da “Shakuhachi”, instrumento sagrado da cultura tradicional japonesa.

Márcio Valério tocou três peças para emoldurar as palavras da palestra, criando os contornos de um quadro tribal. Fazia o fundo às palavras que comprovaram os poderes regenerativos, restabelecedores e de renascimento da água.

A palestra aconteceu num templo. Evangelista lembrou da “Niká Uiikiná”:  palavra que refere-se ao conceito de família da tribo dos Tucanos. Família é os que moram na mesma Oka, na mesma Taba. Estávamos numa taba, num lugar entre amigos, vivendo uma experiência em família. E o vento começou a soprar e a chuva chegou.

 

Márcio Valério apresenta harmonia de “Shakuhachi”. Monges e Samurais referenciam a água

Água em Sons
Foram três as peças entoadas pelo “Shakuhachi”. A primeira foi a “Haru Moumi”, primavera no mar. Retrata o momento da primavera na beira do mar. A segunda peça é intitulada “Yashimuzu”, um chamamento do Divino. E a terceira, Issu Gawa, que conta uma jornada ao templo no alto de uma montanha com rios cristalinos que abrigam seixos brancos.

Trata-se de um lugar muito especial. Os seixos brancos são atribuídos à presença de Issuzu. Jesus pisou ali, segundo a lenda.

Reunião Tribal

A flauta Shakuhachi é ligada ao Zen Budismo e também está presente na história dos Samurais. Quando perseguidos, esses guerreiros tocavam este instrumento nos templos budistas para não serem reconhecidos.

Assim as palavras proféticas, de um novo tempo, eram ditas. A água que tem o poder da memória. A água que dá a vida e nos liga à simbologia universal que sustenta e indica novos caminhos e possibilidades da vida em tribo e uma nova ordem social.

A mensagem de inspiração foi dita: é possível resgatar princípios universais para a construção de um novo tempo. Trabalhar em prol de uma nova estética. Todos somos índios. Grato Roberto Evangelista e Márcio Valério pela vivência de limpeza e rejuvenescimento de esperanças tendo a água como aliada e guardiã.

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*Masaru Emoto é um cientista japonês que conseguiu comprovar cientificamente os efeitos que as músicas, palavras, pensamentos e sentimentos provocam na estrutura molecular da água. Estes experimentos científicos expõem a água a esses agentes. As fotografias das moléculas da água são possíveis em estado de congelamento.


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