A eminência de stress hídrico na RMC
Região Metropolitana de Campinas e o stress hídrico
O grande desafio para vencer o colapso da superexploração dos recursos hídricos
O ritmo de crescimento econômico da Região Metropolitana de Campinas está em risco. O grande gargalo é o abastecimento de água, isto sem falar na oferta de energia. O projeto intitulado “Cenários Ambientais 2020”, apresentado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo no final do ano passado, fundamenta a eminência de um stress hídrico.
Isto significa que o conflito por água bate à porta. Os números não mentem: 78% da água disponível nos rios abastecem residências, indústrias e agricultura. Com o crescimento de todos os setores da economia numa velocidade jamais vista, a superexploração dos recursos hídricos é uma conseqüência natural. E é justamente o colapso do sistema hídrico que pode colocar em xeque a visão da mega metrópole e de todos os benefícios que estamos projetando para as cidades da Região Metropolitana de Campinas em nível qualitativo.
Uma reflexão necessária
Os projetos do trem de alta velocidade (TAV) e a ampliação do aeroporto de Viracopos estão no centro do cenário da requalificação urbana e excelência que vislumbramos para a RMC. Algumas cidades globais já vivenciam esta realidade. Esta é a nossa meta.
Mas vale lembrar que o balanço hídrico do sistema Cantareira está no limite. A gestão de outorga das águas estabelece as regras da parceria entre a ANA, Agência Nacional de Água e o DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica. O acordo baliza a autorização das vazões mínimas e máximas para cada um dos consumidores. Evitar os impactos de um colapso no sistema é o maior desafio deste momento e deve ser o centro do debate político.
Mas em época de realinhamentos políticos desenvolvementistas este discurso tem o risco de passar para segundo plano justamente por suscitar reflexões mais aprofundadas. Mas, este assunto, muito mais do que retórica política, diz respeito a uma questão de sobrevivência.
Entenda a lógica do sistema Cantareira
Para se ter uma noção do que estamos falando, vale entender a lógica do sistema Cantareira que cria uma espécie de banco de águas. A região que economizar mais nas épocas das chuvas garante maior vazão na estiagem. O sistema Cantareira abastece 15 milhões de pessoas. 7 milhões na Grande São Paulo e 4,5 milhões na região de Campinas, incluindo os reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira de Atibainha, localizados na Bacia do Rio Piracicaba. Trata-se de uma gestão compartilhada.
Este modelo de gestão permite a transposição das águas da Bacia PCJ para suprir a demanda do Alto Tietê (81,93 m³/s). São transferidos cerca de 30 metros cúbicos por segundo. E a revisão deste valor está em curso para atender a população de 5,1 milhões de habitantes.
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O grande desafio
O desafio é justamente garantir que o pulsar da Região Metropolitana de Campinas não seja comprometido neste momento. Defendemos que a plataforma de planejamento urbano seja baseada nos recursos naturais e capacidade das bacias hidrográficas. Isto evita deformações de planejamento.
Temos que fazer valer as potencialidades inerentes, presentes na confluência de valores da qualificação ambiental, tecnológica e social da nossa região. Esta confluência é um dos maiores patrimônios que a RMC dispõe para tornar-se modelo de desenvolvimento sustentável nacional. O gargalo do sistema Cantareira deve ser superado ao privilegiar nossa qualificação ambiental. Os projetos que beneficiam a adoção de tecnologias sustentáveis para a construção de cidades verdes devem ser priorizados para garantir que a vocação da Região Metropolitana de Campinas se manifeste em sua plenitude.
Aproveitamos a oportunidade para agradecer a iniciativa do Blog Mercados do Futuro em abrir este espaço. Feliz ano novo para todos…
Guilherme Campos Júnior
Deputado Federal (PSD)















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